Tá ficando chato tanta lamentação
Vou poetizar as árvores!
Acho que elas não sofrem de amor...
Pelo menos parecem sempre fortes e aprumadas.
Mas tem que ser de espécie boa!
Que não se despi com qualquer outono
nem se abate com qualquer inverno.
Vou poetizar palmeiras a beira mar
sempre lindas ao Sol dos trópicos
nem ligam se não as querem
têm sempre à vista lindos horizontes...
novembro, 2009.
27/11/09
26/11/09
122
Teus olhos são mudos
milênios de mistérios e silêncios.
Esfinge do meu Egito,
do meu coração deserto,
do meu querer sedento.
Sempre a esperar que esta estátua
me assuste em movimento.
Como vendaval de areia
bagunçando minha tenda,
invadindo meu leito.
novembro,2009.
milênios de mistérios e silêncios.
Esfinge do meu Egito,
do meu coração deserto,
do meu querer sedento.
Sempre a esperar que esta estátua
me assuste em movimento.
Como vendaval de areia
bagunçando minha tenda,
invadindo meu leito.
novembro,2009.
24/11/09
120
Minha manicure se emociona com a praia
- ahhh, o sol nascendo no mar...
Pra mim o Sol nasce todos os dias conforme deve ser.
Conforme o combinado.
Todos os dias levanta e se põe.
A onda vem e volta, sem parar.
Começo e fim.
Começo e fim.
Eu também cumpro minha rotina.
Acordo e durmo.
Todos os dias acordo e durmo.
É regra.
E eu gosto assim.
Sol nasce e morre.
Lua sobe e desce.
Mar vai e vem.
E eu cumpro minha parte.
Acordo e durmo.
Acordo e durmo.
Sinto um certo desconforto com imprevisibilidades.
novembro, 2009.
- ahhh, o sol nascendo no mar...
Pra mim o Sol nasce todos os dias conforme deve ser.
Conforme o combinado.
Todos os dias levanta e se põe.
A onda vem e volta, sem parar.
Começo e fim.
Começo e fim.
Eu também cumpro minha rotina.
Acordo e durmo.
Todos os dias acordo e durmo.
É regra.
E eu gosto assim.
Sol nasce e morre.
Lua sobe e desce.
Mar vai e vem.
E eu cumpro minha parte.
Acordo e durmo.
Acordo e durmo.
Sinto um certo desconforto com imprevisibilidades.
novembro, 2009.
119 - Andarilha
Monstros dos finais,
Fantasmas e assombrações!
Eis que a macacada está a solta!
Fazendo de mim a boneca tonta
arremessada de um lado pro outro
de final em final
sem adeus ou simples aceno
tendo que aceitar à força
mais um velório, uma cruz em meu peito.
Quanto mais terei que andar
a morrer e levantar
amar e desamar
por estas estradas sem fim?
Que santa sina esta de perecer pela vida
sempre a mendigar amor?
sempre a degustar a dor?
A ver o vento espalhar as pétalas de minha flor...
Nem dá tempo de provar a delicada delícia
da reciprocidade.
Andarilha, novembro de 2009.
Fantasmas e assombrações!
Eis que a macacada está a solta!
Fazendo de mim a boneca tonta
arremessada de um lado pro outro
de final em final
sem adeus ou simples aceno
tendo que aceitar à força
mais um velório, uma cruz em meu peito.
Quanto mais terei que andar
a morrer e levantar
amar e desamar
por estas estradas sem fim?
Que santa sina esta de perecer pela vida
sempre a mendigar amor?
sempre a degustar a dor?
A ver o vento espalhar as pétalas de minha flor...
Nem dá tempo de provar a delicada delícia
da reciprocidade.
Andarilha, novembro de 2009.
13/11/09
118
eu choro com as mão em minha face
eu quero que você me abrace...
quero soluçar no teu peito
ter tuas mãos em meus cabelos...
quero reconhecer teu cheiro
a maciez do teu colo...
quero que beijes minha boca
molhada de lágrimas.
um leve suor na minha nuca
um resto de perfume em teu pescoço...
um pressentimento me assombra
não se mova, fique onde estamos.
novembro, 2009.
eu quero que você me abrace...
quero soluçar no teu peito
ter tuas mãos em meus cabelos...
quero reconhecer teu cheiro
a maciez do teu colo...
quero que beijes minha boca
molhada de lágrimas.
um leve suor na minha nuca
um resto de perfume em teu pescoço...
um pressentimento me assombra
não se mova, fique onde estamos.
novembro, 2009.
117
Não basta interpretares meus poemas?
Não basta minha explicação?
Meu Não,
meu Chega,
o fim?
Já não me amaram também.
Minha alma já foi rasgada em trapos,
meus sonhos viraram poeira.
Ninguém tem pena.
Nem eu.
As exigências do amor são piadas.
Amor de verdade põe abaixo qualquer prerrogativa,
não adianta preencheres meus prés-requisitos
eles só são um falível escudo
para talvez mirar melhor da próxima vez
e não ser flexada por qualquer cupido burro.
Amor arrasa qualquer coisa.
Dá a vida e mata.
Liberta e escraviza.
Te leva nas nuvens
e te enterra debaixo de sete palmos de chão.
Amor não tem coração.
Se queres vivê-lo terás que arriscar-se a sofrer.
Ninguém entende porque mas assim é e será.
Não adianta investigar meu passado,
especular meu futuro,
atrapalhar meu caminho.
Não adianta me mandar nuvem negra.
Amor não se compra e não se cobra.
Ele vai embora...mas sempre volta.
novembro, 2009.
Não basta minha explicação?
Meu Não,
meu Chega,
o fim?
Já não me amaram também.
Minha alma já foi rasgada em trapos,
meus sonhos viraram poeira.
Ninguém tem pena.
Nem eu.
As exigências do amor são piadas.
Amor de verdade põe abaixo qualquer prerrogativa,
não adianta preencheres meus prés-requisitos
eles só são um falível escudo
para talvez mirar melhor da próxima vez
e não ser flexada por qualquer cupido burro.
Amor arrasa qualquer coisa.
Dá a vida e mata.
Liberta e escraviza.
Te leva nas nuvens
e te enterra debaixo de sete palmos de chão.
Amor não tem coração.
Se queres vivê-lo terás que arriscar-se a sofrer.
Ninguém entende porque mas assim é e será.
Não adianta investigar meu passado,
especular meu futuro,
atrapalhar meu caminho.
Não adianta me mandar nuvem negra.
Amor não se compra e não se cobra.
Ele vai embora...mas sempre volta.
novembro, 2009.
03/11/09
116
Vim em busca de qualquer coisa que eu não sabia realmente o que era , mas que buscava desesperadamente encontrar. Pensei que aqui longe descobriria e então encontraria essa coisa qualquer que me faltava. Andei por lugares longes, longe de mim mesma estive, sempre à caça, sempre atenta e discretamente aflita. Cruzei o mar, pisei em novo continente e em outro, fui onde não entendia o que as pessoas falavam, fui onde não acreditavam Naquele em que sempre cri, fui onde acreditavam Nele mais do que eu...
Procuro manter-me sempre ocupada, tenho tarefas sempre atrasadas para ter sempre a certeza de ter o que fazer, esperando que no de repente eu ache, num acaso combinado a coisa que eu preciso encontrar apareça. Ensaio momentos de distração, entretenho-me com coisas inúteis que aceleram o tempo,com coisas profundas que anulam o perceber do passar das horas e a única coisa que descubro é que o tão esperado não tem endereço.
Passaram-se muitos dias aqui longe, onde eu acreditava ser meu novo berço, meu novo parágrafo dessa vida contada em folhas de papel. Passaram-se dias e dias, dias que eu contei com esperança de que quanto mais eles passavam mais perto eu estava de encontrar aquilo que minha alma faminta esperava.
Procuro manter-me sempre ocupada, tenho tarefas sempre atrasadas para ter sempre a certeza de ter o que fazer, esperando que no de repente eu ache, num acaso combinado a coisa que eu preciso encontrar apareça. Ensaio momentos de distração, entretenho-me com coisas inúteis que aceleram o tempo,com coisas profundas que anulam o perceber do passar das horas e a única coisa que descubro é que o tão esperado não tem endereço.
Passaram-se muitos dias aqui longe, onde eu acreditava ser meu novo berço, meu novo parágrafo dessa vida contada em folhas de papel. Passaram-se dias e dias, dias que eu contei com esperança de que quanto mais eles passavam mais perto eu estava de encontrar aquilo que minha alma faminta esperava.
O tempo está quase esgotado, os últimos grãos de areia empurram-se e apressam-se dentro da ampulheta e meu olhar atônico, entre os grãos e eu mesmo, não entende porque nada mudou (nada eu digo observando que minha alma continua inquieta).
Achei que o que no perto não encontrava , no longe acharia, enfim descobri que estava sempre comigo aquilo que sempre esperei. Descobri que por mais que andasse e corresse, por mais estranho e distante os lugares que eu percorri me levaram sempre para dentro de mim. Descobri que sou mais confusa que uma medina, mais alta que a duna que escalei no Saara e que mais sagrado que a Catedral de Santiago sou eu mesma.
Mas infelizmente esse fim não é assim tão poético, entretanto, serena e um tanto quanto atormentada chego ao lugar quase sagrado que por vezes imaginei e esse lugar aqui dentro não se traduz pelo feliz encontro de eu comigo mesma, com a plena consciência e magnificência do "encontrar-me", pois onde eu cheguei eu só encontrei um punhado de medos, outro tanto de dúvidas e por que não admitir também, um bolo de infantilidade e mais um chumaço de culpa. Deparei-me com encruzilhadas sem sinalização, com mapas sem estradas, planos de viagem sem destinos. Deparei-me com um grande espelho que insistia em não mostrar minhas olheiras, meus cabelos secos sem pentear, meu rosto aborrecido e pálido, minhas mãos mal cuidadas e meus pés cascudos.
E quando eu voltar pro perto que agora é longe...O perto antigo, mesmo estando perto, vai ser mais longe do que como hoje o vejo, pois nada restou do que deixei lá. E por saber que mais uma vez abandonarei o que construí, que aqui deixarei a única coisa que hoje realmente possuo e me identifica...Por saber que nada vai restar das coisas que eu já fui é que hoje não durmo.
Na verdade, não durmo por saber que tudo que encontrei dentro de mim vai estar comigo em qualquer lugar que eu vá.
26/04/2005, arquivo .txt encontrado em velhos backups
26/10/09
115
Volta logo,
porque cada dia sem você
é menos um dia.
Um dia que não vivo.
Um dia a menos pra voltares.
Aflita a te esperar.
Volta logo,
porque meus dias sem teus dias
são foscos, pastéis e opacos
são secos, febris e exaustos.
E meus corpo, minha alma, minha carne
meu braços, enlaços e suspiros
aguardam ardentemente teu retorno.
Aguardam aspirar o cheiro de tua pele.
outubro, 2009. Ansiosa espera.
porque cada dia sem você
é menos um dia.
Um dia que não vivo.
Um dia a menos pra voltares.
Aflita a te esperar.
Volta logo,
porque meus dias sem teus dias
são foscos, pastéis e opacos
são secos, febris e exaustos.
E meus corpo, minha alma, minha carne
meu braços, enlaços e suspiros
aguardam ardentemente teu retorno.
Aguardam aspirar o cheiro de tua pele.
outubro, 2009. Ansiosa espera.
13/10/09
114
Arrumei tuas malas, tua passagem de ida.
Encaixotei teus pertences, tuas fotografias.
Apaguei teus recados, teus rastros,
tua simbólica presença.
Abandono agora esta história só minha.
Do meu imaginário romântico,
de ilusões e mentiras.
Um pouco de pena me dá
porque matar um sonho
sempre mata um sonhador.
outubro, 2009.
Encaixotei teus pertences, tuas fotografias.
Apaguei teus recados, teus rastros,
tua simbólica presença.
Abandono agora esta história só minha.
Do meu imaginário romântico,
de ilusões e mentiras.
Um pouco de pena me dá
porque matar um sonho
sempre mata um sonhador.
outubro, 2009.
02/09/09
113
como morango com creme
quanto mais doce mais quero o ácido
quanto mais ácido mais quero o doce
teria mais paz se tivesse aprendido comer mingau.
2009
quanto mais doce mais quero o ácido
quanto mais ácido mais quero o doce
teria mais paz se tivesse aprendido comer mingau.
2009
27/08/09
112
te prendo entre minhas pernas
que são finas e sem fim
faço um nó de nós dois
um no outro, enfim.
agosto, 2009.
que são finas e sem fim
faço um nó de nós dois
um no outro, enfim.
agosto, 2009.
26/08/09
110
águas que correm devagar
meus braços abertos a flutuar
neste leito cristalino e tão imenso
mergulhada no silêncio
nem o coração dá pra escutar
minha alma descansa...
agosto, 2009.
meus braços abertos a flutuar
neste leito cristalino e tão imenso
mergulhada no silêncio
nem o coração dá pra escutar
minha alma descansa...
agosto, 2009.
109
(não é poesia, é um diagnóstico)
meu peito dói de aperto:
medo de deixar escapar amor.
agosto, 2009.
meu peito dói de aperto:
medo de deixar escapar amor.
agosto, 2009.
29/07/09
108
Minha bonequinha.
Sempre quis ter uma.
Te fiz uma caminha do meu lado,
Te enfeitei com vestido rodado e laço,
Fiz comidinha, fiz penteado.
Foi um susto, foi um sonho
Foi meu espelho quebrado.
Me deram e me tiraram.
Me amputaram pernas e braços.
Não sei se és fada ou bruxa.
Não sei se me amas ou me culpas.
Eu não sei o que faço.
Se dormisses na caminha ao lado...
Eu te contaria os meus segredos.
julho, 2009. Midi.
Sempre quis ter uma.
Te fiz uma caminha do meu lado,
Te enfeitei com vestido rodado e laço,
Fiz comidinha, fiz penteado.
Foi um susto, foi um sonho
Foi meu espelho quebrado.
Me deram e me tiraram.
Me amputaram pernas e braços.
Não sei se és fada ou bruxa.
Não sei se me amas ou me culpas.
Eu não sei o que faço.
Se dormisses na caminha ao lado...
Eu te contaria os meus segredos.
julho, 2009. Midi.
04/06/09
107
confessar que eu te amo
parece quando o menino levantou a minha saia na escola.
eu tenho vergonha...
é segredo.
2009
parece quando o menino levantou a minha saia na escola.
eu tenho vergonha...
é segredo.
2009
106
deita em minha cama e fica
derrama teu cansaço sobre mim
pesa teu sono no meu peito
puxa minha coberta
rouba meu travesseiro
eu olho você dormir
a gente não precisa fazer amor
pra se amar a noite inteira.
2009
derrama teu cansaço sobre mim
pesa teu sono no meu peito
puxa minha coberta
rouba meu travesseiro
eu olho você dormir
a gente não precisa fazer amor
pra se amar a noite inteira.
2009
02/06/09
105
Do meu quarto avisto a gruta,
janela que mais parece um quadro.
Paisagem que muito percorri,
desde quando a água da bica era potável.
Depois, drogados assinavam a pintura,
beijos homosexuais e casais encalorados.
Ai veio o medo de visitar Nossa Senhora de Lourdes.
Ontem, estava eu debruçada sobre a mesa em frente a janela
uma agenda, uma biblia, um livro de auto ajuda e outro de poesia
olhei pra eles, olhei pra velha gruta
e lembrei das velas que nunca acendi.
Se a Santa daquele altar me visse agora,
ela mesma acenderia os candelabros,
porque a Imagem de joelhos
é por mim que ora.
2009
janela que mais parece um quadro.
Paisagem que muito percorri,
desde quando a água da bica era potável.
Depois, drogados assinavam a pintura,
beijos homosexuais e casais encalorados.
Ai veio o medo de visitar Nossa Senhora de Lourdes.
Ontem, estava eu debruçada sobre a mesa em frente a janela
uma agenda, uma biblia, um livro de auto ajuda e outro de poesia
olhei pra eles, olhei pra velha gruta
e lembrei das velas que nunca acendi.
Se a Santa daquele altar me visse agora,
ela mesma acenderia os candelabros,
porque a Imagem de joelhos
é por mim que ora.
2009
06/05/09
104
um amor como o teu não cabia no meu orçamento sentimental.
cheia de rombos e quedas e baixa cotação.
surgiste durante a grande depressão,
meu milagre romântico.
2009
cheia de rombos e quedas e baixa cotação.
surgiste durante a grande depressão,
meu milagre romântico.
2009
31/03/09
102
durante os poucos minutos que meus olhos se perderam
meu pensamento percorreu essas estradas
e eu comi meus cinco dedos.
esqueci o floral de manhã!
2009
meu pensamento percorreu essas estradas
e eu comi meus cinco dedos.
esqueci o floral de manhã!
2009
26/03/09
09/03/09
100
arranho e rasgo
arrancando essa parede em minha volta
esta placenta que nutriu e agora aperta
este casulo que teci e agora espreme
pronta para abrir as asas
eu sempre quis virar borboleta
março 2009
arrancando essa parede em minha volta
esta placenta que nutriu e agora aperta
este casulo que teci e agora espreme
pronta para abrir as asas
eu sempre quis virar borboleta
março 2009
04/03/09
99
O amor que morre
aduba o solo do meu peito.
Sentimento orgânico fertilizante.
Passa o tempo
e ao invéz de cruz
eis que brota uma rosa
hasteando a bandeira
da incansável e romântica crença
nas coisas eternas e simples.
2009
aduba o solo do meu peito.
Sentimento orgânico fertilizante.
Passa o tempo
e ao invéz de cruz
eis que brota uma rosa
hasteando a bandeira
da incansável e romântica crença
nas coisas eternas e simples.
2009
04/02/09
31/12/08
97
Cavo cansada esta cova.
Esculpindo infeliz tua lápide.
Enfeitando tua coroa com flores de luto.
Vago perdida pelo cemitério de amores.
Cravo uma cruz em meu peito.
Não quero mais pisar neste chão.
Ando cansada de derrotas românticas.
Por morrer de amor é que te mato em mim.
2008
Esculpindo infeliz tua lápide.
Enfeitando tua coroa com flores de luto.
Vago perdida pelo cemitério de amores.
Cravo uma cruz em meu peito.
Não quero mais pisar neste chão.
Ando cansada de derrotas românticas.
Por morrer de amor é que te mato em mim.
2008
01/12/08
96
na minha voz não há canto
na minha dança não há encanto
neste conto não há descanso
e não há mais o que rimar nestes versos
não há mais o que cantar ou contar
não há mais o que crer
não há mais o que tocar
tudo se desfaz
como nos sonhos do meu sono
abro os olhos e tudo não passou
de um sopro.
que eu senti mas não houve toque.
que eu senti mas não vai voltar .
que não alcanço .
não detenho .
não vivo
o tempo suficiente pra dizer que aconteceu.
não dá tempo de sorrir até mostrar os dentes .
as lágrimas sempre se antecipam.
sigo andando de adeus em adeus.
2008
na minha dança não há encanto
neste conto não há descanso
e não há mais o que rimar nestes versos
não há mais o que cantar ou contar
não há mais o que crer
não há mais o que tocar
tudo se desfaz
como nos sonhos do meu sono
abro os olhos e tudo não passou
de um sopro.
que eu senti mas não houve toque.
que eu senti mas não vai voltar .
que não alcanço .
não detenho .
não vivo
o tempo suficiente pra dizer que aconteceu.
não dá tempo de sorrir até mostrar os dentes .
as lágrimas sempre se antecipam.
sigo andando de adeus em adeus.
2008
17/10/08
95
Ela pulava cordas,
eu brincava de bonecas.
Ela corria nos campos,
enquanto eu colhia flores.
Ela subia na laranjeira,
enquanto eu, embaixo, colhia os frutos.
Ela andava a cavalo
e eu alisava o cachorro.
Ela gostava de pular ondas,
e eu de castelo de areia.
Ela construía sua casa na árvore,
enquanto eu sonhava com um lar cor de rosa.
Ela sabia se virar sozinha
e eu sabia me virar com ela.
Inventava viagens loucas pela floresta.
Eu preferia ficar em casa, mas ia com ela.
Ela resolveu pular da cachoeira
e eu preferi ficar só olhando.
Ela morreu, lá embaixo nas pedras
e eu sobrevivi pra contar histórias.
Histórias dela, porque minhas eu não tenho.
E eu, agora, sinto saudades
de toda aquela coragem e audácia,
do jeito despreocupado de se preocupar,
daqueles risos livres
e dos olhos ansiosos que eram dela.
Mas ela continua;
em algum lugar ela continua,
alegrando corações
e tirando o sossego de muitas almas.
1999, eu e ela.
eu brincava de bonecas.
Ela corria nos campos,
enquanto eu colhia flores.
Ela subia na laranjeira,
enquanto eu, embaixo, colhia os frutos.
Ela andava a cavalo
e eu alisava o cachorro.
Ela gostava de pular ondas,
e eu de castelo de areia.
Ela construía sua casa na árvore,
enquanto eu sonhava com um lar cor de rosa.
Ela sabia se virar sozinha
e eu sabia me virar com ela.
Inventava viagens loucas pela floresta.
Eu preferia ficar em casa, mas ia com ela.
Ela resolveu pular da cachoeira
e eu preferi ficar só olhando.
Ela morreu, lá embaixo nas pedras
e eu sobrevivi pra contar histórias.
Histórias dela, porque minhas eu não tenho.
E eu, agora, sinto saudades
de toda aquela coragem e audácia,
do jeito despreocupado de se preocupar,
daqueles risos livres
e dos olhos ansiosos que eram dela.
Mas ela continua;
em algum lugar ela continua,
alegrando corações
e tirando o sossego de muitas almas.
1999, eu e ela.
16/10/08
94
Abro as cartas para mim
Espalhando sobre a sorte
Minha ordem e meu comando.
Ai de ti se não virar a meu favor!
Ai de ti contrariar minha vontade!
Confirma logo o que eu tracei.
Caso contrário, eu não acreditarei.
Deixa eu cuidar do meu destino!
Papelzinho burro!
Sabes com quem tais falando?
Agora é com Ela.
2008
Espalhando sobre a sorte
Minha ordem e meu comando.
Ai de ti se não virar a meu favor!
Ai de ti contrariar minha vontade!
Confirma logo o que eu tracei.
Caso contrário, eu não acreditarei.
Deixa eu cuidar do meu destino!
Papelzinho burro!
Sabes com quem tais falando?
Agora é com Ela.
2008
12/10/08
93
lantejoulas para ninguém
o batom intacto
perfume para ela mesma
bebendo um vinho no escuro
escuta a mesma música repetidamente
levanta os braços e balança
gira arrastanto o vestido no chão
cabelos como plumas no ar
sem sapatos ela dança
fecha os olhos por fechar
é ali que ela queria estar
vivendo a maravilha da solidão sem dor
sentindo saudade de um futuro amor
feliz por feliz estar
simplismente
2008
o batom intacto
perfume para ela mesma
bebendo um vinho no escuro
escuta a mesma música repetidamente
levanta os braços e balança
gira arrastanto o vestido no chão
cabelos como plumas no ar
sem sapatos ela dança
fecha os olhos por fechar
é ali que ela queria estar
vivendo a maravilha da solidão sem dor
sentindo saudade de um futuro amor
feliz por feliz estar
simplismente
2008
06/10/08
92
Aponta do meu cabelo guarda antigas histórias
do tempo que ela era raiz,
mechas escondidas com tonalizante
vermelhos, loiros e castanhos.
Eu tenho vagas lembranças da minha infância.
Mas se cabelo sempre cresce a partir da fonte
da minha raiz continua brotando vida.
Procuro minha essência sem químicas.
Por baixo das tintas que me escondem
desta pintura que te fiz.
2008
do tempo que ela era raiz,
mechas escondidas com tonalizante
vermelhos, loiros e castanhos.
Eu tenho vagas lembranças da minha infância.
Mas se cabelo sempre cresce a partir da fonte
da minha raiz continua brotando vida.
Procuro minha essência sem químicas.
Por baixo das tintas que me escondem
desta pintura que te fiz.
2008
22/09/08
91
o sossego sempre me escapa
nos momentos de silêncio e solidão
os sussuros em meu peito atrapalham
o próprio som da pulsação
são pensamentos meteóricos
se cruzando no universo do meu cérebro
explodindo contra as paredes do meu crânio
colidindo com os neorônios que me restam
são incertezas que me assombram
medos incrustados em minhas terminações nervosas
lembranças no baú da minha mente
que inssiste em me contar velhas histórias
necessária crise
para eu poder me ultrapassar
para poder me livrar do pó
das estrelas do passado
2008
nos momentos de silêncio e solidão
os sussuros em meu peito atrapalham
o próprio som da pulsação
são pensamentos meteóricos
se cruzando no universo do meu cérebro
explodindo contra as paredes do meu crânio
colidindo com os neorônios que me restam
são incertezas que me assombram
medos incrustados em minhas terminações nervosas
lembranças no baú da minha mente
que inssiste em me contar velhas histórias
necessária crise
para eu poder me ultrapassar
para poder me livrar do pó
das estrelas do passado
2008
13/09/08
90
fita o amarelo que se transforma em verde
minha boca procura a tua nessa confusão de palavras
não importa a paisagem
o único horizonte são teus lábios
fita o verde que se transforma em amarelo
minhas mãos se enozam nas tuas
não importa a luz
a única forma é a tua
fita meus olhos fixamente
pois teu peito aperta o meu
e nossos corações conversam
o único som é a pulsação
fecha os olhos
pois teus lábios deslizam nos meus
e minha boca se mistura com a tua
o único gosto é o beijo
2008, primeiro beijo
minha boca procura a tua nessa confusão de palavras
não importa a paisagem
o único horizonte são teus lábios
fita o verde que se transforma em amarelo
minhas mãos se enozam nas tuas
não importa a luz
a única forma é a tua
fita meus olhos fixamente
pois teu peito aperta o meu
e nossos corações conversam
o único som é a pulsação
fecha os olhos
pois teus lábios deslizam nos meus
e minha boca se mistura com a tua
o único gosto é o beijo
2008, primeiro beijo
12/09/08
89
Dez horas da manhã o porteiro interfona dizendo que mandaram um vinho pra mim.
-Tem certeza?
-Tenho, Pa tri ci a Ra mos, 101. Você.
-Tá. Mas confere direito. (Será que ele me mandou um vinho? Depois daquele beijo, um vinho é um convite... Quer me ver de novo... Gostou...Delicia! Original... Inteligente...Perfeito!)
-Ow, Dona Patrícia, desculpa aí, mas é para o bloco da frente. Coincidência... o mesmo nome!
-Ah... ( Como assim, ele não me mandou o vinho? Não me ligou? Depois de ter me beijado, nem um telefonemazinho??? Eu mereço mais que isso. Muito mais!! Mereço um cara que me mande vinho no dia seguinte. No mínimo!!)
E foi assim que minha vida mudará.
-Tem certeza?
-Tenho, Pa tri ci a Ra mos, 101. Você.
-Tá. Mas confere direito. (Será que ele me mandou um vinho? Depois daquele beijo, um vinho é um convite... Quer me ver de novo... Gostou...Delicia! Original... Inteligente...Perfeito!)
-Ow, Dona Patrícia, desculpa aí, mas é para o bloco da frente. Coincidência... o mesmo nome!
-Ah... ( Como assim, ele não me mandou o vinho? Não me ligou? Depois de ter me beijado, nem um telefonemazinho??? Eu mereço mais que isso. Muito mais!! Mereço um cara que me mande vinho no dia seguinte. No mínimo!!)
E foi assim que minha vida mudará.
01/09/08
87
eu choro porque o futuro é bom
e porque o passado acaba hoje
e foi bom também.
choro pelo que poderia ter sido se eu ficasse
e choro pelo que vai ser, já que eu vou.
toda mudança rasga um pouco a minha carne
e todo adeus sangra lá meu coração
e não é para alguém que aceno
é para a minha vida que desacontecerá em breve
é um aceno para nova curva da estrada
de onde já vislumbro no horizonte
o destino ao qual fadada estou
nem melhor, nem pior
é só o caminho.
2008
e porque o passado acaba hoje
e foi bom também.
choro pelo que poderia ter sido se eu ficasse
e choro pelo que vai ser, já que eu vou.
toda mudança rasga um pouco a minha carne
e todo adeus sangra lá meu coração
e não é para alguém que aceno
é para a minha vida que desacontecerá em breve
é um aceno para nova curva da estrada
de onde já vislumbro no horizonte
o destino ao qual fadada estou
nem melhor, nem pior
é só o caminho.
2008
01/08/08
86
eu quero mil beijinhos
vou cantar a profecia:
eu quero mil beijinhos enjoados
eu quero a bobeira apaixonada
eu quero florzinha surpresa
eu quero beijo de barriga
eu quero que você desligue primeiro
não eu, você
eu não... você, você,você!!
eu quero "meu docinho"
eu quero carinho nas costas
eu quero a pizza que a gente mais gosta
a nossa música
cheirinho misturado
eu quero toda essa bobagem romântica.
E eu quero agora.
Antes que eu enjoe só de falar.
2008
vou cantar a profecia:
eu quero mil beijinhos enjoados
eu quero a bobeira apaixonada
eu quero florzinha surpresa
eu quero beijo de barriga
eu quero que você desligue primeiro
não eu, você
eu não... você, você,você!!
eu quero "meu docinho"
eu quero carinho nas costas
eu quero a pizza que a gente mais gosta
a nossa música
cheirinho misturado
eu quero toda essa bobagem romântica.
E eu quero agora.
Antes que eu enjoe só de falar.
2008
85
se eu fosse eu
naõ sei o que faria de mim
se eu fosse eu
talvez tomaria um uísque
talvez daria mesmo
talvez desistiria
coitada desse eu que sou
sorte minha que só sou as vezes
2008
naõ sei o que faria de mim
se eu fosse eu
talvez tomaria um uísque
talvez daria mesmo
talvez desistiria
coitada desse eu que sou
sorte minha que só sou as vezes
2008
84
eu me fecho
tranco a porta
do meu mundo
eu sumo
assumo o sentimento
eu tenho medo
tanto medo
eu não durmo
eu me escondo nas cobertas
apago a luz
desligo o som
eu fujo
eu corro
eu não olho para tras
eu tenho medo
eu olho para dentro
eu tenho medo
eu grito
eu arranho minha garganta
eu choro
eu soluço
eu suspiro
eu tenho medo
tanto medo
desse escuro em minha volta
queimou a luz no fim do túnel.
2008
tranco a porta
do meu mundo
eu sumo
assumo o sentimento
eu tenho medo
tanto medo
eu não durmo
eu me escondo nas cobertas
apago a luz
desligo o som
eu fujo
eu corro
eu não olho para tras
eu tenho medo
eu olho para dentro
eu tenho medo
eu grito
eu arranho minha garganta
eu choro
eu soluço
eu suspiro
eu tenho medo
tanto medo
desse escuro em minha volta
queimou a luz no fim do túnel.
2008